quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Menino Perdido (03/10/12)

Ouvi muitas histórias durante a minha infância. E eu acreditava naqueles heróis da maneira mais inocente possível. Mas o tempo passa, e a fantasia é substituída pela realidade, nos fazendo deixar de acreditar em contos de fadas. Hoje, quase “gente grande”, já não vejo as coisas com a mesma inocência de menino. Aquela magia de quando eu era criança criou em mim uma falsa ilusão da realidade, do mundo pervertidamente perigoso em que vivem os adultos, e que está se revelando para mim.

Me lembro de uns meninos estranhos e com medo que, por serem crianças, se aventuravam e brincavam como se nunca fossem realmente crescer. Esses meninos que mesmo com um sorriso no rosto, não conseguiam conversar com as pessoas olhando nos olhos. Eram conhecidos como “meninos perdidos”. Esses meninos, algum dia, precisaram de um grande herói, que fizesse com que eles esquecessem a triste realidade que lhes pertencia e que fossem viver eternamente na fantasia de um lugar sem regras, onde o que importava era ser criança. Mas ser criança pra sempre não era tão impossível quanto tirar aquela raiva e tristeza da memória desses meninos. Nada poderia fazer com que os meninos perdidos se esquecessem de tudo o que já passaram.

O espelho me mostra o tempo passar. Mostra o quanto eu mudei. E o quanto as coisas a minha volta mudaram também. Eu sinto falta de quem eu era antes, e sinto falta da fantasia, da inocência. Sinto que agora faço parte do grupo dos meninos que realmente não sabem se são crianças ou adultos. Que não sabem se são inocentes ou se só fecham os olhos pra se proteger da realidade. Estou junto deles, os meninos perdidos, esperando para sermos levados para a Terra do Nunca.

Matheus Monteiro

Nenhum comentário:

Postar um comentário